27 de dezembro de 2013

Além da virada

Todo mundo se apega em crenças, superstições, rituais de fazer mentalização, de estar em determinados lugares, fazer coisas, vestir cores, listar promessas na virada de um ano para outro. Muito legal do ponto de vista da elevação das nossas potencialidades e das coisas, dos bem quereres e é em alguns casos divertido, cultural, muitas vezes de valor espiritual, mas todo dia ao acabar traz o poder de um primeiro de janeiro no dia seguinte, todo novo dia é mais um dia e traz em si infinitas possibilidades, podemos fazer rituais, mentalizar, confraternizar, mudar em pleno mês de agosto, setembro, outubro ou qualquer outro mês. Podemos ser caridosos além do Natal.
Quem é pequeno dorme e o ano não passa por cima, quem é idoso, quem esta doente, cansado. Quem fica em casa pode vir a passar o ano circulando por muitas festas, viagens, passeios e quem passa a virada em uma festa pode passar o ano todo enfiado em casa. Não é atestado, carimbo, passaporte para os 365 dias vindouros o que estivermos fazendo, sentindo ou desejarmos num minuto, quem dera fosse assim.
E se a ideia é brincar, para variar que tal de trás pra frente esse ano não contar? É! Nada de contagem regressiva, vamos progredir, contar de um até dez. Que tal brindar com água com gás? Ou com café. Que tal a saudação em inglês: Cheers! Aprendi essa palavra nova sem querer e adorei, significa: Saúde! Viva! Uhuuuu! Que tal colocar no mar as flores sem papel, fitas, cordões, plásticos e barquinhos de papel que se degradam ao invés dos de madeira ou isopor com oferendas a Iemanjá? Que tal não jogar nada no mar e nas areias e nas rua ao invés de reclamar que tá tudo sujo e achar que os bueiros entopem e você não tem nada a ver com isso?
Que tal no primeiro dia do ano comer sonho para dar sorte? Já ouvi essa? Eu nunca tinha ouvido essa história, ouvi e já quero fazer isso, para ver se dá sorte e aproveitando que amo sonho, com recheio de doce de leite de preferência.
Hoje é a última sexta-feira do ano, tradição aqui na Bahia ir na Igreja do Bonfim, agradecer pelas conquistas, repensar os erros, dia de tradição, fé e reflexão. Vamos então agradecer e se comprometer em não só na primeira sexta-feira do ano, dia de pedidos e promessas, nem só no dia 31 a 10 minutos da meia noite, mas todos os dias e mais focados no dia 31 de dezembro e 1 de janeiro inteirinhos, de manhã a noite agradecer e perdoar além de pedir. Agradeçamos pelo ano que está terminando e por tudo o que aconteceu de bom e também pelas dificuldades que nos fizeram aprender um pouco mais da vida. Façamos o nosso novo ano ser bom, pedir só não vale! Inté 2014! Paz e bem!

20 de dezembro de 2013

Quereres

Quero elogiar e render a propaganda de final de ano do Bradesco, uma campanha linda, clica aqui para ver, identificar e listar seus quereres. Eu quero ter um cachorro que de vez em quando vire gato e um passarinho que de vez em quando vire pato. E para meu marido um fraque que vire pinguim.
Quero uma caneta a prova de letra feia e erros gramaticais. Quero que alguns finais de semana por ano tenham dois sábados e dois domingos. Quero que as pessoas entrem nos ônibus e tendo a opção, escolham a janela e olhem por ela. Que sejam proibidos aparelhos de vídeo nos painéis dos carros, dirigir exige concentração e responsabilidade.
Quero uma festa de renovação dos votos com direito a uma cerimônia antes com um outro vestido de casamento e alguns bailes alheios para eu me fantasiar de princesa, de espanhola, baiana, da arqueira Merida do filme Valente e de pirata.
Quero que toda criança tome um banho de chuva por pura diversão e que não fique doente e que também tome um banho no chuveiro toda vestida, de pijama pode ser e um outro de balde jogado de vez em cima da cabeça e uns cinco de mangueira, com o perdão pelo gasto da água, vale o quanto alegra e purifica. 
Quero também que toda criança veja um passarinho tomar banho em uma pocinha ou se refestelar em terra ou areia como que se coçando. Quero ver muitos também, além dos que já vi.
Quero empinar uma pipa e ser boa nisso. Quero que todas as pessoas e empresas parem de agendar tudo para janeiro depois do meado de dezembro e tudo para depois do carnaval em meados de fevereiro. Quero provar bolinho de chuva e comer um tal de um pão com pernil famoso, vendido aqui em Salvador, num boteco de um espanhol. Quero também provar amora e jabuticaba tiradas do pé. Chega né!

19 de dezembro de 2013

Passarinhices

 Na janela

 Super

 Estilo Niemeyer

 Casa pão

 Conjunto habitacional

Que tal essas lindas moradinhas? Convites para passantes, moradores fixos talvez, com direito a som, shows de performances, belezinhas e naturezices.
Semana passada lá fui eu fechar a janela do meu quarto, apesar de morar no décimo sexto andar e por isso ter o privilégio de poder dormir de janela escancarada, a chuva não é visita grata no meio da noite. Eis que vejo no escuro uma coisa escura nos trilhos da janela e digo para marido: - Liga a luz, tem um bicho aqui!
E lá estava todo aninhando um filhote de passarinho dormindo como se estivesse hospedado em um hotel, sem nem ligar para a luz ou a barulheira da tv e de sua descoberta. Apagamos a luz e ele passou ali toda a noite hospedado (detalhe: esse da foto não é ele, essa foto eu tinha guardada aqui, garimpada na net).
Por e-mail recebi essa semana o link de um site apassarinhado que trouxe hoje para compartilhar com vocês, é só clicar aqui. Clique, assista, leia, observe os detalhes, ouça os sons e depois vem aqui comentar, se inspira, faz uma casinha, fotografa, observa as espalhadas por ai.

18 de dezembro de 2013

Lenços, semeaduras e colheitas


A imagem acima é da torre da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora no bairro de Nazaré, onde nasci e cresci e onde os sinos batem as seis da matina, ao meio dia e as dezoito horas, quando meu filho bem pequeno, nos fazia correr para praça, todos os dias, religiosamente para ver. A foto foi tirada na volta pra casa no dia da entrega dos lenços, que não foi em nenhum dos dias que idealizei, após arrecadar os muitos lenços enviados de todo o canto do mundo via correio na Campanha que nomeei de Lenços que curam. 
Doei toda a arrecadação ao NACCI uma casa de apoio a pacientes com câncer e suas famílias, pessoas que enfrentam a doença sem ter condições financeiras e emocionais, vindas na grande maioria dos interiores da Bahia. Um lugar onde encontram além do apoio de moradia e afetivo, encaminhamento para o tratamento em hospitais públicos parceiros, remédios, esperança de cura e amor dado por voluntários que trabalham pelo bem comum. Tudo a base de doações que as vezes são muitas, as vezes poucas, de notas fiscais, alimentos, material de limpeza e higiene em menor escala, roupas, mas eles também precisam de dinheiro e arrecadações mão a mão, por empresas, pequenas e grandes, por campanhas e por esforços individuais para que o dinheiro entre e pague as contas de luz, água, telefone, manutenção, infraestrutura, transporte dos pacientes e todos os gastos que uma casa comum e uma desse tipo tem.




Uma casa de apoio, apoiada e acompanhada pelas janelas por torres, como a da Igreja de Nossa Senhora da Divina providência, total sintonia e comandada regiamente pelo presidente e fundador, Clayton Oliveira, antigo morador de um prédio vizinho ao meu nos idos da infância e da adolescência lá no bairro de Nazaré, seu irmão era uma pessoa atenciosa e benta e hoje é padre, sua mãe parceira e apoiadora de seu projeto, vi numa foto parede de uma das salas com o papa João Paulo II, do lado de quem hoje ela está. Uma família sem dúvida divina. O lugar não tem luxo,  mas tem de sobra organização, higiene, receptividade e essas vistas abençoadas retratadas a cima.
O bairro onde a antiga construção está localizada, se chama Saúde (Amém!), velhinha por fora, cuidada e conservada por dentro a muito custo. A casa fica em uma rua pobrezinha, com problemas de violência a tráfico, mas Deus toma conta e Nossa Senhora do Rosário dos Pretos também vigia dali de pertinho, do Pelourinho além de outras santas, anjos e orixás, que creio dão  proteção ao lugar e a quem por ali está e passar.
A falta de receptividade foi um dos motivos das entregas não terem sido feitas em outros lugares, nos mais pops ou em alguns que me indicaram e que não tiveram desde boa vontade e horário disponível a julgamentos sobre a importância e serventia dos lenços para os pacientes. Lugares onde foi sugerido deixar os lenços na portaria ou recepção, que segundo depoimentos agendam as doações para que providenciem a organização e limpeza do local, lugares que atendem pessoas carentes e pessoas que podem financeiramente arcar com o tratamento  e comprar lenços e foi as que podem que direcionaram as doações. Lugares que se interessaram pela campanha, mantiveram contato, cortaram e realizaram projetos de incentivo ao uso e doação de lenços individualmente. Fui ainda questionada quanto a minha religião, se os lenços eram novos ou usados, se eu tinha o diagnóstico da doença e sendo que não o porquê de doar, caras, bocas e um desdém velado: Lenços?


Sim! Lenços! Muitos e de muitas estampas, tecidos, todos lindos e enviados com carinho, esforço e que fazem diferença, enfeitam, acalentam, levantam o astral e eu estava decidida a entregar nos corredores do hospitais os lenços sem marcar ou pedir autorização das partes competentes e incompetentes, ai na sintonia das boas energias e crenças em comum das coisas simples que podem ser coisas grandes, de que qualquer hora é hora para receber quem quer ajudar, qualquer boa intenção, religião vale, fui juntamente com minha mãe recebida pelo NACCI, seu fundador, pacientes e funcionários como que sendo da família e fizemos uma farra de bate-papo, escolhas e amarrações dos lenços, sem pesares ou frescuras, tiramos fotos, rimos, confraternizamos.
Mães ganharam lenços mesmo não estando doentes, para os filhos se animarem, se verem nelas, para o lenço não ser uma marca e sim um charme. Guardei um e amarrei na cabeça de minha vozinha quando cheguei na casa de minha mãe, cheia das boas energias que colhi e ela se achou a bonita. Dei alguns a outras pessoas contando que os frutos serão colhidos pela casa de apoio ou por alguém próximo, seja pelo exemplo, pelas fotos que serão tiradas ou pelo uso de lenços sendo desmistificado e popularizado.


Um menino com cabelinho já crescendo me disse que queria raspar para ficar igual aos outros. A menina que está o site e no panfleto da Campanha de pedido de doações, Silvany o nome dela, puro charme e simpatia, está já com as madeixas grandes (ela é a segunda da esquerda para direita na foto, com um lenço vermelho no ombro). Gabriel, o garotinho na foto abaixo, ao meu lado e do moço que carregou as sacolas de cima para baixo, foi o fotógrafo. Um menino com nome de anjo que foi um anjo de menino.


Obrigada a todos e registro do santo do dia dessa publicação da doação: dia de São Graciano, graças então e de brinde clica aqui, para ver uma Campanha de final de ano, que vi nos blogs de duas amigas que desenharia como anjas e colaria na parede de meu quarto se fosse adolescente, quem sabe um dia eu tenha um ateliê de arteirices e elas e tantas ouras pessoas queridas estarão lá em escritos, desenhos, cores, na imagem de uma joaninha, no azul gris, em trilhos de trem, notas musicais, em coisas simples, lenços, livros, listas, detalhes que inspiram, agregam, iluminam por dentro.

17 de dezembro de 2013

Culturices

"Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício
Acho medonho alguém viver sem paixões"
Graciliano Ramos
Eu sou fã das culturices, regionalices, personagens, histórias e pérolas de Graciliano Ramos, bem como sou fã do ator Ney Latorraca, que se entrega em suas atuações, faz caras e bocas, pronúncias com entonações, sotaques e mimetismos. Ele é genuinamente teatral atuando e ao dar entrevistas é solicito, falante, gesticulante, apaixonado pelo que faz, diz na lata que é vaidoso, elétrico e impulsivo, pontuando as dores e delícias da fama e de falar o que pensa e sente.
E em meio a programação de final de ano da Globo, eis que vão passar histórias gracilianas recheadas de feitos épicos, em que um tal de Alexandre, representado por Ney tem o dom de contar causos e encantar os amigos. Um dos produtores do especial disse em uma entrevista que o personagem precisa contar causos para existir, não por dinheiro, mas pela necessidade de contar histórias. Fica a dica para espiar amanhã a noite o especial nacional na emissora global, ou ler Alexandre e outros heróis e as tantas outras histórias do grande Graciliano. 
Indo de um canal pop mas não muito cult para o canal mais educativo da tv aberta, a Cultura está de identidade visual retrô por conta de seus 45 aninhos no ar, resgatando o seu logotipo original e lançando a campanha Abrace: “Abrace o novo, abrace cultura”.
A campanha tem depoimentos sobre a história e a importância da emissora em vinhetas espalhadas por toda a programação, como comemoração e com o objetivo de convidar antigos e novos telespectadores para o universo variado e rico da programação e resgatar a memória afetiva dos telespectadores. Em junho de 2014, é o mês de aniversário do canal, com várias ações locais e pontuais como: “Abrace São Paulo, abrace cultura”, na semana do aniversário da cidade.
Com vossas licenças e graças! Inté amanhã, dia de abraços, espiadinha e espichadinha na Cultura, Alexandre, nós e outros heróis.

16 de dezembro de 2013

Oração de Natal

 


Papai Noel e do céu, gnomos e anjos
Afastem de nós pessoas, informações, energias que não nos acrescentam
Dai rumo a quem pensa que o mundo gira em torno de si e não do sol
Que mais pessoas parem para que a gente tire uma foto
Atravessem a rua na faixa
Parem na sinaleira
Que a gente faça mais silêncio
E convivamos bem com as diferenças
Que todos se cumprimentem ao entrarem e saírem de elevadores
Que digamos bom dia, boa tarde, boa noite antes dos pedidos de informação
Ao entrar nos táxis, ônibus
Ao comprarmos ingressos, ao passarmos por porteiros
Que digamos mais obrigado, por favor, com licença, desculpa
E se a cortesia não for recíproca, sigamos fazendo nossa parte
Que além de rezarmos estendamos as mãos para ajudar, doar, abraçar
Que os jovens e adultos consumam menos álcool e drogas
Que os programas em grupo sejam mais variados
Que os estádios de futebol sejam lugares seguros
Programa de família
Espetáculo em que se ganha e perde sem perder a civilidade 
Que as pessoas se alimentem melhor, cuidem de sua saúde
Cuidem uns dos outros, de suas ruas, cidades
Que hajam crenças e rituais de fé que acrescentem, humanizem
Que a nossa vida seja valorizada como presente raro, valioso
E a do próximo e do planeta também
Amém!

13 de dezembro de 2013

E se...

"E se as histórias para crianças 
Passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente 
O que há tanto tempo têm andado a ensinar?"
Eu compartilho dessa reflexão e questionamento do mestre José Saramago, por quem tem um apreço imenso. Acho e já disse aqui várias vezes que, por exemplo, o livro O Pequeno Príncipe devia ser leitura além da infância, assim como O menino no espelho de Fernando Sabino, O fazedor de amanhecer de Manoel de Barros, A maior flor do mundo de Saramago (história animada aqui). Aproveito para elogiar as novelas da globo, pois venho observando que todas elas inseriram cenas com pessoas lendo e dizendo o nome do livro e do autor. Quem ai já reparou nisso?
Para hoje e todos os dias, meus desejos de boas práticas, leituras, garimpos, aprendizados e ensinamentos.

12 de dezembro de 2013

Estórias e Histórias

Antigamente o que acontecia pelo mundo era contado e recontado através dos contadores de histórias, viajantes que levavam e traziam relatos do que viam, ao pé da letra ou do tipo quem conta um conto, aumenta um ponto.
E foi assim até que Heródoto, um geógrafo e historiador grego que nasceu nos idos de 484 a.C., reuniu tudo aquilo que viu e ouviu falar dos costumes, mitos e histórias de diversos povos. ao longo de suas andanças, em um grande livro chamado Histórias. Ele foi considerado pelos seus sucessores como "pai da história" e como o "maior embusteiro". Você já tinha ouvido falar dele? Se não, agora você tem mais essa história para contar.
Dia desses alguém me lembrou em um comentário que haviam duas formas de escrever a palavra história. Antigamente o termo "Estória" era usado para contação de fábulas, contos, ficção e  "História" para contação de fatos sobre a humanidade, a vida de uma pessoa, seus feitos. Atualmente o termo "Estória" caiu em desuso e o termo "História" é usado em todos os sentidos.

11 de dezembro de 2013

Nadezas

Tudo merece um olhar
Se o ruim para o bom valorizar
Se o bom para a alma adornar
Nada é por acaso
Acaso decidamos questionar
Nada é em vão
Tudo e nada
Razão e emoção
Parece filosofia, loucura, mas é pura sanidade, é simples, claro e de muita utilidade entender que tudo é cheio de nadas e que tem nadas cheios de muitas coisas. Como o muito que há nas pausas entre uma palavra e outra, um assunto e outro, um dia e outro, uma e outra canção.
Na pausa, no nada, reside o processamento da informação, suspiros, intenções, emoções. Aproveitemos tanto a bolha de sabão quanto seu estourar, o dente de leão em flor e no ar, a agitação e o descanso, os sons e o silêncio. Existem muitas coisas escondidas no nada e nada onde parece haver muitas coisas.

10 de dezembro de 2013

Sem e com

Lembro que brincava nas escadas dos prédios onde morei, nos corredores, na área de circulação de baixo, meu filho também quando era pequeno brincou em corredores e na escada do primeiro prédio onde moramos, eu fazia bilhetinhos escondidos com pistas, mapas, uma caça ao tesouro. Num lugar sem espaço ele brincou bem mais do que no grande play do próximo prédio onde fomos morar.
Hoje adolescente não desce para bater papo, dar uma volta, ler lá embaixo, jogar, usar as salas de jogos, de ginástica, piscina e tudo mais que tem a disposição dele. Nem ele nem nenhum outro adolescente, que não vejo nunca nas vezes que saio e chego da rua. Raramente também vejo crianças menores, quando em vez, no máximo babás com as de colo, com carinhas de querer ir para o chão.
Sem área adequada nem equipada, brincávamos de pega-pega, se esconder, de pular elástico, bambolê, futebol, vôlei. baleado, mímicas. Sentávamos no chão ou ficávamos horas de pé, nos juntávamos para ouvir música, jogar baralho, dominó, falar besteira, desfilar roupas, perfumes, novidades, combinar saídas, fazer planos, falar da vida dos outros, da nossa, contar histórias.
Hoje os grandes e planejados espaços de socialização ficam na sua maioria as moscas, crianças e adolescentes cheios de não me toques, com distrações e socializações virtual. Muito sem graça, sem cheiro, sem gosto, sem pés sujos, sem suar, se descabelar, sem abraços, fotos, sem ter muito o que contar.

9 de dezembro de 2013

Capacidades ilimitadas

Somos capazes de tantas coisas que as vezes nem imaginamos e descobrimos isso testando, fazendo, por instinto, intuição, sugestão, necessidade, acaso. Todos temos potencialmente capacidade de superação, de adaptação, percepção, criação, temos força motora e interior e podemos atingir resultados surpreendentes, basta trabalharmos nossas fortalezas e fraquezas.
O ser humano é capaz de mudanças, improvisos, assim como de linearidade e constância. É inevitável termos que driblar medos, dúvidas, inseguranças, incertezas, perdas, dores, doenças, dificuldades e é imprescindível darmos a volta por cima, pelo lado, por baixo, sermos e fazermos pequenos e diários milagres. Somos uma obra-prima genial e assim devíamos nos comportar, utilizando nossas capacidades ilimitadas para nosso bem e o bem comum.
Fé, determinação, força, coragem e bons potencias potencializados é uma boa pedida para segundas-feiras e para todos os dias. Vamos que vamos!

7 de dezembro de 2013

Luz depois da curva

Eu tinha programado deixar por todo o final de semana a postagem de ontem e só voltar a postar na segunda. Mas um voo inesperado rumo ao céu, uma curva na estrada fez nascer essa publicação para uma pessoa tão pessoa, tão humana, tão poética sendo política, a quem dedico as poucas e significativas palavras de Pessoa: "A morte é a curva da estrada, morrer é só não ser visto."
Tenho em mim esse sentimento de perpetuação de todos em todos e em tudo, seja uma pessoa com poucos relacionamentos que vai ser lembrada pelo cara da padaria, a moça do supermercado e os coleguinhas da escola, que fez um banco que vai ficar numa praça por anos a fio, que riscou seu nome numa calçada ou no tronco de uma árvore, seja uma pessoa tão expoente como Mandela, que teve muitos e mundiais contatos pessoais e interpessoais, que fez marcas indeléveis, deixou lições, frutos, sementes, pessoais, sociais, morais, espirituais. 
Aparentado direto de Deus, sem sobra de dúvida. Como foi dito na recepção a ele aqui na Bahia em sua vinda em 1991: "A casa é sua irmão", acho que foi o que Deus disse a ele ontem, um dia após a sua chegada e bate papo com os anjos locais, em uma sexta-feira, dia de todos os santos aqui na Bahia, lembrando que ele partiu para sua terra Natal na época da estrela guia, um iluminado sem dúvida.

6 de dezembro de 2013

Visão fontana

Palavras, versos e visões 
Da poesia Canção de ver, de Manoel de Barros:
"Por viver muitos anos dentro do mato
Moda ave 
O menino pegou um olhar de pássaro
Contraiu visão fontana
Por forma que ele enxergava as coisas por igual
Como os pássaros enxergam
As coisas todas inominadas
Água não era ainda a palavra água
Pedra não era ainda a palavra pedra e tal
As palavras eram livres de gramáticas
E podiam ficar em qualquer posição
Por forma que o menino podia inaugurar
Podia dar às pedras costumes de flor"
Visão fontana é enxergar as coisas por igual, como os pássaros enxergam e isso não é coisa natural dos homens infelizmente, embora quando crianças se tenha essa visão.
Quando somos pequenos, por exemplo, e não sabemos ainda os nomes das coisas e aprendemos ficamos espantadas a cada olhar para elas, a cada pronúncia dos adultos dos nomes ditos geralmente com ênfase: O Cachorro! A Bola! Água! Depois, com o aprendizado, os adultos nada fontanos, tiram a cara de espanto, o tom, o encantamento associado a cada palavra e coisa e com isso, além das definições e usos determinados, limitamos as ilimitadas utilidades e sentidos de tudo.
Penso que vale seguir depois da infância investindo além dos aprendizados, pressões, limite, objetividade, pressa, lógica, em encantar-se, emoldurar, desconstruir significados, utilidades, importâncias, funções, seja das coisas, objetos, acontecimentos, pessoas e assim treinarmos, buscarmos, usufruirmos do olhar dos passarinhos, como que dando as pedras costumes de flor, como diz o fontano Manoel. Fica a dica!

5 de dezembro de 2013

Graça que não se lava

Outro dia Clara, uma das filhas de uma amiga, clareou e adoçou uma de minhas publicações, ver aqui. Eu não a conheço pessoalmente mas sei de suas histórias através do blog de sua mãe e sabendo que ela tem uma irmã, chamada Bruna e sendo eu de uma turma de quatro irmãos, sempre gostei de tudo repartido, tem para um tem que ter para todo mundo, nem que seja uma tarefa difícil como dividir uma bala em quatro.
A minha tarefa e objetivo não teve nada de difícil, pedi a dona mamãe para me agraciar com um desenho, frase ou historinha da Bruna e eis que para compor e acompanhar a claridade doce de Clara, segue historia com leveza de bruma da Bruna, com fantasia e graça que não se lava, não se explica.
Ela não é essa garota da imagem, que foi pescada na web, sem uma fonte precisa. Bruna quando tinha quatro anos teve um sonho que contou para mãe e que ao meu ver, revela nas entrelinhas um que de coletivo dos nascidos gêmeos, o sentir humano de toda criança e o entender com poéticos porquês.
"- Tive um sonho muito esquisito.
- Esquisito como? Conta!
- Foi depois que a gente foi ao circo.
Sonhei que o palhaço foi tomar banho e esfregava, esfregava o rosto, mas não conseguia tirar o vermelho do nariz.
Não é esquisito?
(Pensei antes de responder.)
- Não há nada de estranho, Bruna!
O vermelho do nariz não saiu porque não vai sair nunca.
- Como nunca?
- É que a alegria e a graça pertencem ao palhaço e não podem ser lavadas. Quem é que não acha graça do nariz do palhaço?
- Ah! Entendi!"

4 de dezembro de 2013

Proteção, devoção e dendê

"Luz que alumia
Esse povo bom da Bahia
Nos livre das tempestades
Desse mundo
Dos raios dessa vida nos proteja
Dona das rosas vermelhas
Soberana divina
Que assim seja"
Trecho da canção Santa Bárbara
Na vermelha voz de Maria Bethânia
Hoje aqui na Bahia é uma data devotada a Santa Bárbara, a poderosa, destemida, guerreira orixá Iansã, Senhora dos ventos e tempestades. Por sintonia a data caiu no dia da semana em que se devota a ela, quarta-feira, dia de vestir vermelho. 
Para saudar ela, alvorada de fogos no Pelourinho no raiar do dia, procissão, missas, oferendas e o tradicional caruru. Uma curiosidade é que no de Cosminho e Damião os quiabos são cortados em rodelas e cada rodela cortada em cruz, o caruru fica então bem miudinho. No caruru para Iansã os quiabos são cortados apenas em rodelas e só devem ser cortados por mulheres. 
Meu avô dizia que só lembramos de Santa Bárbara quando trona, (troveja em espanhol),  eu de ouvir, aprendi e rezo sempre para ela, em brisas, ventanias e quando troveja também, lembrando que não é só no dia dos estrondos que lembro dela.
Eu não tenho medo de muitas das coisas que a maioria das pessoas tem, mas quando ouço os estampidos vindos do céu e vejo os clarões e rasgos como fogo descendo do firmamento, saio de qualquer lugar aberto que eu esteja, fico longe de janelas, de espelhos, de telefones e eletrônicos em geral. Sinto medo com um que de respeito. Dia desses Gilberto Gil, meu conterrâneo e sentidor do mesmo mix de sentimentos, assim como minha vozinha que quando troveja lembra de mim, disse em uma entrevista em um depoimento sobre sua fé e crenças que ele reza como os antigos quando troveja, que sente que Deus está reclamando de algo, que a natureza está lembrando de seus poderes de bondade e de destruição e que temos que respeitá-la.
Respeito, devoção, sincretismo, caruru, coragem, força e plantações de brisas para colhermos ventos, pois quem planta ventos, colhe tempestades bem diz o ditado.

3 de dezembro de 2013

Bons tempos

Imagem de picolés Capelinha
O picolé popular de griffe aqui de Salvador
Com vários sabores
Tamarindo, cajá, coco, amendoim, goiaba, tapioca...
Todo mundo sente nostalgia, nem que seja um bocadinho. Nostalgia é como uma porção de coisas que na medida faz bem, não é ilegal, pode ser imoral e a depender do que seja, engorda. Eu fiz uma listinha nostálgica e poética minha, que de muitos também deve ser. Depois de ler, conta: Você, tem saudade de quê?
Bons tempos em que tarefa de casa era colorir e que eu não sabia como as roupas apareciam limpas e passadas em meu armário. Bons tempos em que o lanche da tarde era Vitamina de banana acompanhada de pão com manteiga e queijo e caloria era uma palavra desconhecida. Que férias eram sinônimo de mais de um mês de folga, de folga de verdade. Que o jogo da vida era um brinquedo de tabuleiro.
Bons tempos em que a mania coletiva no verão era geladinho, picolé, abafa banca e os passeios com a galera incluíam bater perna, pizza e cinema, não só bares e bares e bares. Bons tempos em que meu cabelo lavado com sabão de coco era mais bonito do que hoje com hidratação, cauterização, selagem, escova. Pois é, mas tudo tem seu lado bom e ruim, para com rima alegrar e fechar o papo, bom nosso pé não crescer mais e por isso nao perdemos os sapatos.
Só para explicar, abafa banca aqui na Bahia e não sei se em mais lugares, é o nome que se dá a um tipo de picolé popular obtido ao colocar suco ou outro liquido na cuba de gelo, uma sobremesa ou lanche caseiro para se lambuzar, adoçar o paladar e se refrescar do calor de abafar.

2 de dezembro de 2013

Sobre procurar

“Procura-se um equiibrista
Que saiba caminhar na linha que divide a noite do dia
Que saiba carregar nas mãos um fino pote cheio de fantasia
Que saiba escalar nuvens arredias
Que saiba construir ilhas de poesia na vida simples de todo dia”
Roseana Murray
A procura acima foi o tira gosto para a procura que vou sugerir, que vou pedir que seja sugerida, por ai, uns aos outros, as pessoas próximas e as desconhecidas, as vezes a solução para inquietações, dúvidas, angústias, enfermidades, está em procurar e achar o que nos faz bem, que para cada um pode ser algo bem diferente. Procure o que te faz bem! Incentive outras pessoas a fazerem o mesmo, seja para fazer como lazer, como profissão, seja um estilo de vida, um esporte, um hobbie.
Tem que ser algo que faça relaxar, refletir, descarregar, faça sorrir por dentro, por fora, faça o corpo se mexer ou parar quieto, faça tudo isso junto ou uma coisa só. Pode ser caminhar, correr, pedalar, nadar, mergulhar, surfar, pescar, malhar, dançar, fazer yoga, meditação, artesanato, curso de culinária, de decoração, de moda, de mecânica, soltar pipa, fazer origami, aula de japonês, de alemão, de malabares...
Pode ser algo que se tenha experiência ou que nunca se fez, nem mesmo se imaginou fazer, essas descobertinhas são transformadoras. Vai, se mexe, encontra sua válvula de escape, seu ponto de equilibro e faz alguém em sua volta encontrar também, faz bem, aposte nisso, é mais garantido e tão transformador quanto apostar e ganhar na mega-sena.

1 de dezembro de 2013

Eco bom

Uma adorável promoção
Por mais gentileza
Mais boas palavras
Elejamos uma palavra
Ou várias
Um cumprimento, agradecimento
Uma frase
Estufemos o peito e digamos em voz alta
Ou em silêncio
Todos os dias, a todo momento, ou quando em vez
Percebamos a força que as palavras tem
E assim tenhamos cuidado com elas
Filtro para recebê-las
Sem o calor de momentos ásperos
E amargor que as vezes nos são ofertadas
Que tenhamos destreza para medi-las
Prazer em adoçá-las e adorná-las
Que sejam leves e que as boas o tempo nunca leve
Como que jogássemos um bumerangue
As palavras, pensamentos, ações
As energias vem e vão
Fazem eco dentro e fora de nós
Bons arremessos
Nossos e alheios para o mês de dezembro
E para todos os meses, dias, horas, minutos

30 de novembro de 2013

Natal tropical

Essa imagem estava aqui na minha pasta de ilustrações e sempre que batia o olho nela a via como uma perfeita representação do Natal aqui na Bahia. Um calor de mil graus e no Shopping´s, vitrines e decorações caseiras e escolares: neve e casacos de lã. Oh God!
Quem é seguidor e passante aqui sabe que eu sou fã de tradições de todo tipo, lugares, culturas, mas acho também que sempre cabe uma intervençãozinha, um toque local, popular, pessoal, criativo, que hoje com tantas opções de materiais e trocas virtuais e reais de ideias, sair do pinheiro com algodão e bolas é o mínimo.
Na minha casa as árvores natalinas são cada ano de um jeito, já teve uma toda de bichinhos de pelúcia, outra com brinquedinhos de minha infância e da de meu filho, uma com cartões e mensagens, outra fotos, uma só de laços bem coloridos. Assim como todo ano tem presépio e cada ano com um cenário e personagens secundários diferentes, além dos enfeitinhos da estante, da cozinha, do jantar.
Quero viver para ver em um shopping grande, na tv ou em visitas a casa de amigos e parentes uma árvore cacto, ou um ipê no lugar de um pinheiro Papai noel de bermudão e camiseta, com barba feita e boné, de prancha, bonecos de neve serem sorvetes e picolés, ou aos pés do clássico pinheiro areia e barquinhos e por todo ele conchas e fios amarelos solares.
Aproveitando o tema decoração natalina, me contem do clima ho-ho-ho da cidade de vocês. Por aqui está tudo muito morno, poucas janelas, varandas, sacadas, tanto de empresas como residenciais, poucas recepções, caixas, casas com luzinhas e enfeites de Natal, pouco sorrisos e desejos Boas festas nos atendimentos, ruas, pouca programação de corais, presépios gigantes ou vivos, filmes em cartaz, peças. Sinto que o Natal está mais longe do que de fato está, que comprar os presentes é a única coisa para se resolver, que o carnaval é a próxima festa mais esperada, que famílias, casais, empresas, estão combinando viagens e não ceias coletivas e amigos secretos, que só se fala da virada de ano e o Natal tem um que de fora de moda. Será uma perda coletiva da magia? Da tão valiosa religiosidade? Terá aderido o espirito natalino as redes sociais e não me avisou?

29 de novembro de 2013

Humanos, heróis e santos

Segue entre aspas um dos muitos e bons escritos do escritor Moacir Willmondes, ver aqui na íntegra esse em que ele reflete e nos faz refletir sobre algo bem interessante a partir das suas leituras juvenis da Bíblia como castigo pelos seus muitos aprontes. 
"Davi, além de me ensinar que tamanho não é documento, quando venceu o gigante com um estilingue, também mostrou-me que errar faz parte do caminho, quando se apaixonou pela mulher errada, e também que o importante é reparar o erro. Salomão, homem de muitas mulheres, vivia repetindo uma verdade para si, talvez como forma de se auto convencer: “vaidade de vaidades, tudo é vaidade”. O que mais me chamava atenção era o fato de os heróis bíblicos serem homens comuns, com defeitos e falhas como qualquer pessoa e os diversos narradores não terem escondido isso. Moisés e Jeremias eram gagos, Jonas era um medroso, Gideão e Tomé duvidavam de tudo, João Batista era um excêntrico andarilho comedor de gafanhotos, Isaías chegou a profetizava peladão em público. E para não ficar só no clube do bolinha, o que dizer das mulheres? Eva era por demais curiosa, Sara era uma velhinha com sonhos de mulher jovem, Léia era feia, Raabe era promíscua, Dalila era ambiciosa e sem escrúpulo, a mulher samaritana fora casada mais de cinco vezes, Marta não distinguia prioridades, Madalena era naturalmente sedutora. Mas, tudo isso não os impediram de realizar façanhas incríveis."
Pois é, não somos Super-heróis Marvel com super poderes, nem personagens bíblicos ou do Cartoon Network, nem dos contos de fada ou folclóricos, mas temos poderes, temos também santidade e temos defeitos e deles e de nossas qualidades podemos fazer o bem, fazer bonito, basta acreditarmos e arregaçarmos as mangas. Hoje é sexta-feira, dia de todos os santos aqui na Bahia, um bom dia para milagres, heroismo, mágicas, resiliência, aceitação, dia mundial de animação, disposição, interação. Mãos as obras então!

28 de novembro de 2013

Palavras de nossas moradas

Sabiam que a palavra casa em Latim não era usada para nomear moradas em geral? As moradas maiores e melhores eram chamadas de domus. Daí derivou-se a palavrinha: domicílio e algumas outras. A palavra mansão, por sua vez, vem do Latim mansio, de mansus, particípio passado de manere, “ficar,permanecer”. Tal palavra acabou designando uma casa de grandes dimensões e de muito boa apresentação, onde permanecer não é nenhum esforço.
Telha também veio do latim: tegere, “cobrir”. Em Biologia, tegumento é o nome dado à pele que cobre um animal, tudo a ver. Pátio - como seria bom que todas as moradas tivessem um pátio e um quintal para a criançada brincar e os adultos flanarem. A palavra pátio vem de patere, “aberto, amplo, visível”.
Corredor é do latino currere, “correr”. Parte da casa que interliga os comodos e normalmente se mantém desimpedida, de modo que dá até para correr ao longo dela, imagino seja esse o sentido.
Li por ai que nos palácios franceses os arquitetos ainda não tinham incorporado a ideia do corredor, de modo que passava-se de um quarto pelo outro para se chegar até onde se queria e essa é uma das razões para as camas antigas terem aquelas colunas nos cantos e dosséis de tecido que ocultam o seu interior. Achei essa informação "inútil" o máximo, como li num blog amigo esses dias: "O supérfluo é coisa muito necessária" Voltaire
Quarto vem do Latim quatuor, cuja significação é “a quarta parte da casa”, não necessariamente em área, mas em função. Cozinha é do Latim coquere, “cozinhar”. Banheiro de balneum, “banho privado”.
A palavra “privado” é porque, na antiga Roma, era costume se tomar banho em estabelecimentos públicos, onde eram feitos encontros entre amigos e se discutiam as fofocas mais recentes.
Sótão, muito legal ter um sotão, a palavra vem do Latim subtulum, de subtus, “o que está debaixo”. Subentende-se: debaixo do telhado, da cobertura da casa. Hoje são poucas as casas que têm um espaço utilizável entre o telhado e o forro. Na casa de minha mãe tem e eu já subi lá e achei uma aventura. A existência dele está esquecida, tendo inclusive muita tralha por lá,  coisas que jamais vão ser usadas ou são necessárias tipo dois dias depois que se criou coragem para se livrar delas, sabem como é? Só de curiosidade, no clima da descontração, a expressão “ter macaquinhos no sótão” já foi muito usada para designar uma pessoa que tinha caraminholas na cabeça.
Porão, lá na casa de minha mãe também tem um que só se agaixando com juntas treinadas na yôga para entrar e se movimentar e vestimenta tipo uniforme da Nasa, pois deve ter de tudo por lá. A palavra latina de origem desse local pouco comum nas casa é planus, “liso, chato, plano”. Em náutica, nos navios, designa-se como porão o espaço entre o convés mais baixo e o fundo do casco.
Forro, também tem lá e esta palavra, ao contrário das outras, não tem origem latina. Vem do Francês antigofeurre, “guarnição interna” e em construções designa a separação horizontal entre o telhado e os aposentos. Acho muito chique esse termo, um dia ainda vou residir em uma casa enorme e dizer para alguém: - Vou para os meus aposentos!
Indo do luxo a realidade que muito vivi de baldes espalhados pelo chão, panos, puxa-puxa de coisas de lá para cá, barulhos de pinga-pinga. Quem vive ou já viveu numa casa de telhas, sabe dessas e outras histórias de goteiras e essa palavrinha gotejante veio do latim gutta, “gota”. Chega né! Cansei, tipo tivesse faxinado uma mansão.

27 de novembro de 2013

Devagar

"Viva cada segundo com respeito
Quando se movimenta rápido demais
Você perde o ponto de encontro entre a mente e a matéria 
E torna-se como a lebre
Que era mais ligeira, mas perdeu a corrida" 
Reflexão de Dadi Janki em Pérolas de Sabedoria
Nem lebre nem tartaruga para ilustrar
Escolhi essa ovelinha muito charmosa e simpática
Solicita, gentil e que mesmo com o peso da bolsa no pescoço
E o volume de balões
Parece bem equilibrada
Não contemos com leveza e falta de pesos
Barreiras, atividades
Para desacelerarmos
Para sermos gentis e nos equilibrarmos
Vou dar a voz a Monalisa Macêdo:
"Não importa o quão pesado sejam os dias e as horas que passam
A gente só precisa, mesmo, é de um pouco de leveza na alma
E todas essas coisas que transbordam no coração
A gente não precisar estar vazio para estar leve"

26 de novembro de 2013

De mal com a Bienal

Esse ano definitivamente joguei a pá de cal na Bienal. Não sei se em todos os lugares Brasil a fora é como vou descrever o que sempre vejo na daqui de Salvador, mas vergonhosamente, tenho para mim que sim.
Esse ano pensei seria diferente aqui, mas não foi e apesar de achar que meu depoimento e queixa não vão mudar nada, tenho um fiozinho de esperança boba, crença em milagre, idealização de que mude um dia, se não, pelo menos não engulo a seco.
O produto globalizado e com respaldo que é o evento, com a mídia que tem, o valor social, econômico, cultural, educacional, num espaço físico gigantesco (aqui sempre é em um grande espaço), apoios políticos e privados e o que se tem é um monte de livros encalhados, velhos, promoções e mais promoções de livrinhos infantis de colorir e historinhas onde temáticas educacionais e qualidade literária dão lugar a brilhos, sons, exemplares defeituosos, que devem ocupar espaço nas editoras e livrarias, dispostos sem nenhuma magia.
Nos livros para jovens e para todas as idades, precariedade total de títulos, de cuidado, de ordem seja alfabética, por autor ou por assunto. Pilhas e mais pilhas, sem preocupação com o manuseio e circulação das pessoas, ninguém para instruir, tirar duvidas, disposto e capaz de falar algo sobre os títulos, autores, editoras, ali ofertados, apenas atendentes que tiram recibos.
Nenhuma decoração, trabalhos escolares, artísticos, painéis com frases, nomes de autores, fundo musical que fale de livros, de leitura, de literatura. Declamação de poemas, de trechos de livros famosos. Uma barulheira, um vai e vem de sacos, sem som, sem tom, sem clima cultural.
Palestras e oficinas em horários únicos, com espaços fechados ínfimos e seletivos para participação. Muitos convidados de pouca representatividade, modinhas e afins, não muito próximas ao que se deve exaltar, ao que no mercado hoje, nacional e mundial se tem para valorizar, incentivar, vender. Muito longe do que desejam leitores e escritores de plantão que vão a bienais. Lamento inclusive pelos que não gostam de ler, que indo provavelmente saem gostando menos ainda.
Os poucos escritores com algo a dizer, conhecidos e reverenciados, são colocados ali no pouco para o que são: pouco público, pouco conteúdo, pouca vitrine, pouca ou nenhuma possibilidade efetiva dos presentes de aquisição de suas obras que ali provavelmente não estão a venda ou será difícil localizar um exemplar em meio a tanta desorganização.
Cabia um espaço para itens como prateleiras e estantes criativas para os livros em nossas casas, marcadores de páginas e artigos de papelaria em geral.
Nenhuma prateleira exclusiva, nem mesmo visto em destaque dentre os livros não procurados tão abundantes, Toda poesia de Leminsk, por exemplo, obra merecedora de um banner, uma faixa, seu rosto exposto, bigodes pendurados como bandeirolas e tudo que honrasse seu feito de estar no top de vendas com um livro nacional e de poesia.
A presença em excursão de escolas, não, não vi nenhuma, nem meu filho em nenhum das que estudou foi convidado. Vi alunos em grupo pequenos com fardamento de colégios públicos deslumbrados frente a algumas obras bem populescas e pouco recheadas de saber.
Nenhum stand para novos escritores, oportunamente e decentemente organizado, com pessoas e empresas para informar, incentivar. Grandes editoras e livrarias sem exibição, nem que fosse numa estante de vidro com chaves de toda ou parte significativa da obra de Drummond, Pessoa,Guimarães Rosa, Jorge Amado (que merecia aqui ao menos, uma ilhazinha, um quiosque, uma instalação literária, visual, cenográfica de suas obras tão baianas). 
Uma oportunidade deveria ser o evento de se ver ou adquirir todos os livros que faltam na coleção de Saramago de alguém, ou de Paulo Coelho, Rubem Alves, Manoel de Barros (Quem? Nem se sabe quem é ele em muitos dos estandes). Que horror! Não estavam nem mesmo por lá, muitos deles, nem mesmo representados nos livros velhos, amarelados e com os preços baratinhos. Zero de qualidade literária, expositiva, incentivadora, comercial. Preços e quantidade, para se livrar é a visão da Bienal, como uma nau furada e muito mau conduzida.

25 de novembro de 2013

Por cores, leveza e alegria

"Preciso de tintas de todas as cores
Pincéis e paleta
Campos de flores
Cidades adormecidas vazias
Nuas dos traumas das ruas
Do sol sobre mares
Sombras na lua
Florestas e estrelas
Lira de Orfeu
Gente rezando
Imagem esculpida de Deus
Que cheguem
Que entrem
Atravessem a retina 
Que meu cérebro traduza
E as minha mãos assim reproduzam com igual beleza
Reflexos na água
Gôndolas de Veneza
Rosas amarelas
Meus sonhos expressos em Aquarelas"
Por Lourdinha Vilela
Para uma tarde com tons e poesia de aquarela
Uma noite estrelada, lunar, encantada
E uma semana abençoada

Com sequências

Padre Fábio disse dia desses, em seu programa na tv, que passa no canal Canção Nova, que as ausências ocupam espaço e resolvi trazer essa reflexão para cá, pois acho que entender isso e aceitar é como arejar esses espaços e ter nosso interior arrumado, é como ter girassóis em nós.
Quando chega a época de Natal muitas pessoas sentem ausências, seja de pessoas, lugares, fases e até ausências do que nunca se teve. Eu lembro sempre de meu avô, por exemplo,  da presença dele nessa data e diariamente e não é com tristeza, pesar, com melancolia, não com uma não aceitação da perda, mas sim com aproveitamento sadio e agregador do espaço ocupado por sua ausência.
E esse aproveitamento das nossas ausências tem que valer para as grandes e as pequenas, as constantes e as pontuais, pela distância física por diversos motivos das pessoas que queremos bem ou pela falta de coisas não mais possíveis.
As vivências nossas do dia-a-dia são tesouros se assim arrumamos elas em nós. Eu, por exemplo, amo cortar unhas, se meu marido corta as dele sozinho para mim é como ir a uma festa e não me levar...muitos risos. Meu filho não me dá esse prazer prosaico pois roe todas. Meu avô era meu cliente assíduo, cortei muito suas unhas e também arranquei muitos fios grossos e dispersos de suas sobrancelhas. No quesito unhas ele era um bom garoto, mas em algumas puxadas de fios ele soltava palavrões bem feinhos.
Penso, que tudo marcante que vivemos, pessoas, lugares, sabores, acontecimentos, tudo tem espaço reservado em nós e as consequências e sequencias dos sentimentos e sensações devem ser de contemplação, como janela aberta e de movimentos positivos, como girassóis que miram a luz. Que assim seja!

23 de novembro de 2013

Nós maiores

Penso que somos muitos por estarmos nos outros e provocarmos sentimentos e movimentos por conta dessa nossa presença e assim sendo, há muitas pessoas em nós. Com o mundo, não é diferente, no que tange a natureza, as coisas materiais e espirituais, seja qual for nossa crença, temos o dever de sermos muitos, responsáveis, empreendedores, multiplicadores, zeladores do bem coletivo.
Não adianta que nosso mundinho esteja em perfeita harmonia, como li outro dia para descontrair, uma grande verdade é que amigos e parentes felizes, não enchem o saco, então os outros a nossa volta em pequena e grande escala, em harmonia são um ingrediente importante para o crescimento do "Bolo da felicidade".
Em uma linguagem mais literária e filosófica: "O fato de o mar estar calmo na superfície, não significa que algo não esteja acontecendo nas profundezas". E eis que na ilha da minha caixa de mensagens recebi por e-mail, de Ana Paula, a indicação de uma produção, ver trailer aqui
"Agente não nasce pronto e vai se gastando, a gente nasce não pronto e vai se fazendo", frase ímpar de Mário Sergio Cortella que colabora para essa produção, um filme filosófico, poético, provocador de uma busca de perguntas, de respostas, de autoconhecimento e entendimento do mundo e do que pode ser, em diferentes formas e dimensões a tão sonhada Felicidade.
"Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo." Bem definiu Leonardo Boff em um de seus discursos, de onde recortei cuidadosamente esse pedacinho e cuidado é algo que devemos ter para com quem amamos, para conosco, com as coisas, com o mundo em que vivemos. Cuidar de quem não conhecemos também é tarefa nossa. Querer tal coisa, achar tal coisa legal por exemplo, porque atende a muitas pessoas, gostos e interesses e não só aos nossos.
Quanto melhor podemos ser? Não mais, melhor, mais corretos, agregadores, mais leves. Quanto menos podemos ser? Menos julgadores, amargos, rancorosos, interesseiros, mascarados, inertes.
O que você conhece do mundo, dos fenômenos naturais, de ciência, geografia, física? O que você sabe da história da humanidade, do pais onde você nasceu, da sua cidade, da sua religião, de seus pais, seus filhos, sua esposa, namorado, avô...? "A vida é uma eterna mochila, pegue a tua e vai!" simplificou a cineastra Laís Bodanzky no final do trailler cujo link vale super a pena conferir, bem como a postagem em conjunto comigo, para ter mais força, multiplicar e somar, que Ana fez, clica aqui para ler e comentar. O filme estará em cartaz a partir desse mês e também disponível para venda e outras propostas: aqui.

22 de novembro de 2013

Ser e fazer feliz

Pão de açúcar era o meu pão preferido na infância
Um pão de leite, meio molhadinho, pesadinho
E cheio de açúcar em cima
E açucarada fiquei de ter sido lembrada pela amiga Rovênia
Contente que nem pão quente
A rima é rente, mas a imagem e minha contentação
Como pão quentinho na chapa ou no fogão
Foi o que me ocorreu para o nome da ilustração
E esquento com manteiga e açúcar as vezes vale a contação
Pois bem, a amiga lembrou de mim
Com o comercial da rede de supermercados Pão de açúcar
E desde que ela falou até eu ver
No canal pago pois aqui em Salvador não tem esse supermercado
Demorou o tanto que demora leite na panela para virar ambrosia
Divido com vocês a canção, para ouvir clica aqui
E que tenhamos sempre asas e raízes
Em tudo que nos faz felizes
Aproveito a ocasião para uma sugestão:
Que tal uma outra versão Clarice Falcão?
Ou cantoras e cantores de plantão
Do que a gente faz para fazer os outros felizes?
O que você faz, me diz?

21 de novembro de 2013

Nosso lar, nosso lugar

Sabem o que eu acho que tem de igual nas viagens maravilhosas e também no ir e vir de todo dia? A volta para casa. Apesar de adorar louças finas e lençóis maravilhosos (e melhor ainda, não ter que lavá-los), cafés da manhã, mimos e descobertas, tenho uma relação de intimidade com a minha caneca, minha cama, meu armário do banheiro e por mais que tentemos, não conseguimos colocar tudo que gostamos na mala quando viajamos.
A volta para casa diária também é algo maravilhoso, seja do trabalho ou das simples saídas para resolver coisas, para estudar ou passear. Entrar em casa é como bater a porta e deixar para trás as preocupações, o cansaço da mente e do corpo, trocar a roupa por uma mais leve, tirar a máscara que por vezes temos que usar na vida comercial e até mesmo interpessoal.
Tantas opções, mudanças, modernidades, liberdades, permissões e nada substitui certas simplicidades, prazeres, como a sensação familiar de estarmos em nossa cidade, sob o céu dela que é diferente do de todos os lugares, o cheiro, o saber onde tem o que precisamos e gostamos, a identidade de nossos íntimos e pequenos mundos.
Assim como o sentimento bom de quando viajamos sozinhos, na volta ter alguém que nos espera, alguém ou várias pessoas com quem agente tem intimidade, com quem temos laços.
Nesse contexto penso que temos que agradecer a cada vez que colocamos a chave na fechadura ou tocamos a campainha e devemos pensar em quem não tem um teto, quem dorme na rua, quem está longe de suas casas, porque não pode ou não tem para onde voltar.
Todos que saem e voltam de seus trabalhos, cursos, estudos ou que voltam de breves saídas, visitas, de hospitalização, de passeios. Todos pássaros de volta ao ninho, barcos que retornam ao porto, que tem o privilégio muita vezes banalizado de sentir o cheiro, o gosto, a proteção, a sensação de abrigo, de pés no chão, raízes, histórias, lar.

20 de novembro de 2013

De todas as cores

Dia da Consciência negra
Dia de reverenciar e saudar
Não a cor
Nem nada por fora dessa raça
Mas o que ela teve e tem por dentro
E dela temos
"Gente que tira alegria da dor
Do batecum do batente
Todas as cores de gente
Contas de todos os guias
Uma nação diferente
Toda prosa e poesia"
Entre as aspas
Trecho de uma canção de Roberto Mendes
Um dos hinos da Bahia
Pela consciência do valor de todas as etnias
De todas as culturas e suas histórias
Heranças, raízes e matizes

19 de novembro de 2013

Chegas e chegares

"Amar é brincar
Não leva a nada
Não é para levar a nada
Quem brinca já chegou"
Rubem Alves
Mania que a gente tem de querer dar sentido a tudo, tem coisa que não tem sentido ou se tem não muda nada a gente saber qual é. Eu pelo menos nem sempre joguei para ganhar, do baleado ao buraco, muitas vezes joguei para me divertir, para socializar. Quais os benefícios socializadores e corporais de jogar baleado? De pular elástico? Sei lá! Se faz a pessoa se mover, se divertir, interagir com outras pessoas, ao meu ver já tá valendo. Não é necessário personal para tudo, não acho produtivo estar o tempo todo buscando sentido, fazendo perguntas, se lamentando por algumas respostas, que nem sempre são sólidas.
E para o amor o raciocínio é paralelo, ele pede que renovemos nossos votos não de décadas em décadas, mas a cada 24 horas. Todo dia é mais um dia, amar por hoje, agradecer o de hoje, se zangar se for o caso, com os aprendizados do que já passou, o valor da estrada percorrida a dois e a consciência de o amanhã ser uma incógnita, que pode trazer algo completamente inesperado ou exatamente o que esperamos. Vai saber!
E nessa renovação de todo dia, nesse viver o presente, devemos nos descolar do que foi e do que é ruim, nocivo e buscar a leveza, carregando na bagagem as necessidades básicas, sem mesquinharia nem exageros desnecessários.
Quem ama já chegou, quem brinca já chegou, quem perdoa já chegou, não há mistérios, algo mais, é só isso mesmo e isso é muito.

18 de novembro de 2013

Interplanetária

Amei essa imagem e a nomeei de banho de sol
Me toquei com ela de que os anéis servem de bambolê para Saturno
 Como nunca pensei nisso?
Saturno deve se divertir a beça
Eu tinha até outro dia certeza de que eu era de marte, por conta do livro de Ziraldo, Meninos de Marte. Embora eu seja menina e isso não me diga muita coisa. O planetinha vermelho, além de regente dos nascidos sob o signo de Áries, me cativa pela sua cor, embora a minha favorita seja azul. Ai, me peguei pensando o outro dia na minha relação com o número 7, no gosto por anéis e senti uma afinidade súbita com Saturno. Tem Vênus também de onde se garante serem todas as mulheres. Tem ainda a auto definição lunar de Cecília Meireles: de cheia a minguante, que por vezes me representa. Sem falar de meu lado solar. Ando desconfiada que sou interplanetária!

16 de novembro de 2013

Dicas

Resolvi dar dicas para o final de semana, para pipocar ou ficar piruá, de fazer nada a fazer tudo ou o que der, o que você gosta, ou o que seu parceiro gosta (com cara de alegria de comercial de margarina). Vale comer aquela pizza mega calórica ou tomar um sorvete cheio de calda como se não houvesse amanhã, vale  fazer dieta em pleno final de semana, visitar alguém doente, levar sua vó pela primeira vez na Mac Donald´s, seu cachorro na praia, vale empinar pipa pela primeira vez, vale ir no mesmo lugar de sempre ou ver tv o dia todo, porque nem pessoas, nem finais de semana, nem gostos, nem necessidades, cabem em tratados, listas, bulas e o que serve para um não serve para o outro, vale deixar para nunca o que não fizer hoje ou deixar para amanhã, para o final de semana que vem.
Para finalizar uma dica para as compras pessoais ou para presentes de Natal e de outras datas. Uma proposta de valorização e divulgação em prol dos produtos e serviços feitos por artistas criativos(as), independentes e nacionais. Clica aqui para conhecer algumas pessoas que fazem arte e fazem parte desse movimento, chamado: Compro de quem faz.

15 de novembro de 2013

Haicais, Mindins e Hanamis

A primavera fala
Ipês e porquês

Perfumando sentidos

O ipê, eu e você
Florescer é saber-se
E sempre buscar a luz
Haikai é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas têm três linhas, na primeira e na última: palavras que somem cinco sílabas, na segunda linha: palavras que somem sete sílabas. Em português abrasileirado escreve-se: Haicai e em português de Portugal: Haiku.
Em japonês esses tipos de poemas são tradicionalmente redigidos e impressos em uma única linha vertical, em português a tradição é em três linhas. Geralmente, uma pintura chamada de haiga, acompanha o haicai. Haijin ou haicaista é o nome que se dá aos escritores desse tipo de poema.
Água
Frescor
Força

Jorra
Cai
Ecoa

Soa
Paira
Pluvia
Criação da autora Luna Di Primo, o Mindim é um outro tipo de poema extremamente sintético e um desafio criativo e linguístico a poetizar e comunicar algo com 3 versos de 2 sílabas cada, sem preocupação com rima ou sonoridade. Poema curto e simples que pode ser longo e denso em reflexões, profundidade e possibilidades.
Esses mindins acima eu fiz para as Cataratas do Iguaçu e os haicais são sobre ipês e a primavera, foram meus primeiros, escritos a convite da amiga Elisa e publicados em seu blog. Grata!
Iniciando a postagem, coloquei a foto da cadelinha de minha irmã que se chama: Hanami, um nome que comunica com o tema da postagem. Para quem não sabe ou não lembra,  esse é o nome de um costume tradicional japonês de contemplar a beleza das flores, em especial as cerejeiras que florescem entre os meses de março e maio por todo canto no Japão e são um espetáculo reverenciado, visitado e contemplado pelos orientais e por turistas de toda parte como valorização da presença, beleza, completude, delicadeza e ensinamentos da natureza. Uma sexta-feira plena e florida a quem o bem semear.

14 de novembro de 2013

Na estrada do sossego

"Esqueci a tal exatidão
Dar nome aos bois
Colocar os pingos nos “is”
Bater de frente
Tirei férias disso tudo
Se algum desaforo bater à minha porta
Não atendo
Canto ciranda, enfeito minhas tranças
Converso com a esperança
Perdi minha mala carregada de ressentimentos 
Na estrada do sossego mudei a rota
Arranquei as portas que aprisionavam meu sorriso
Me perdi do tempo 
Me encontrei em mim"
Renata Fagundes me traduziu, terapeutizou
Arrasou!
Sem mais, sem ses, porém e contudos
Colecionemos menos quinquilharias na mente e no coração
Adocemos o paladar, o sonhar, o pensar, o falar, os passos
A estrada do sossego é a melhor para se estar e nela seguir

13 de novembro de 2013

Malaquice

Não! Não quis dizer maluquice, nem macaquice e escrevi errado. Malaquice diz respeito a esperteza. Como assim? Eu não sei explicar ao certo, bem que pesquisei e nas minhas buscas descobri que existem muitas letras de samba e forró com o nome Malaquias.
Tive até a honra de meu pai, que é todo trabalhado na seriedade, gosto musical restritamente hispânico e aversão a falar ao telefone, cantar uma música do trio nordestino para mim quando telefonei para investigar se ele sabia algo sobre essa relação entre o nome e o mito. Quem conhece ele vai concordar que isso é de entrar para história.
Cismei que a fonte seria o Malaquias bíblico, que sabia ser cobrador e em referência a fama dos cobradores serem safos imaginei que havia alguma relação, mas não achei registros. Será algum Malaquias de uma história local ? Ou de alguma lenda urbana, algum personagem do cinema, da tv, de algum livro? Quem souber, desconfiar ou tiver sugestões, fica a vontade para contar. Vou adorar saber alguma ou muitas histórias.
Essa curiosidade da relação de Malaquias com Esperteza se deu com uma frase dita num papo entre amigos, por um amigo de um amigo a quem até então eu não prestava muito atenção ao que dizia, pois ele fala como uma vitrola enguiçada e muda de assunto na velocidade da luz. A criatura falante disse num contexto em que contava suas peripécias mais ou menos assim: "Ai eu, Malaquias, fiz isso isso e isso". Meus ouvidos pararam de ouvir no nome e minha mente começou a procurar explicação, afinal ele não se chama Malaquias e eu não sabia que Malaquias queria dizer nada sobre ninguém, meu marido sabido me explicou que era um nome sinônimo de esperteza, como Zé Mané é de desesperteza. Havendo ainda um desdobramento linguístico local: Malaco, que aqui na Bahia é codinome desse perfil de pessoas cheias de manhas e artimanhas, descoladas.
"Malaco véio" nesse contexto seria um Malaquias com phd e essa expressão arrisco, sem modéstia, como chute de Neymar, ser uma variante de "Macaco velho", que é sinônimo de esperto de carteirinha. E lá fui eu atrás da origem da expressão do macaco já que do malaco nada descobri e achei a seguinte pérola: "Macaco velho - Expressão muita usada no nordeste para definir uma pessoa que tem experiência de vida e astúcia e não cai em esparrela". Eis que me vejo na obrigação de explicar o que é esparrela, optando por nojinho a só dizer que é cair em uma cilada.
Voltando ao foco, a origem de macaco velho ser esperto, para eu fechar explicando alguma coisa, advém do ditado popular: "Macaco velho não põe a mão em cumbuca", que refere-se ao fato de existir uma árvore chamada sapucaia que dá um fruto em forma de cumbuca. Quando esse fruto amadurece ele desprende por dentro pequenas castanhas e os filhotes de macacos enfiam a mão na abertura da fruta a fim de pegá-las e ficam presos, só conseguindo tirar as mãos quando as fecham e abandonam o fruto.
Para incrementar, cabaça é o fruto de uma árvore conhecida como cabaceira, desse fruto se faz a cuia, instrumento muito usado pelos índios para transportar água e quando cortado ao meio, ao se fazer um buraco no miolo vira uma vasilha para colocar grãos, farinha, frutos e ganha o nome de cumbuca.

12 de novembro de 2013

Alegrias e tristezas

As vezes esquecemos o valor imensurável de abrir a torneira e sair água, de ter água abundante para gastar em higiene pessoal, para cozinhar, lavar roupas, água limpa para beber. Esquecemos da maravilha que é apertarmos um botão e termos luz, conectarmos tomadas e os aparelhos funcionarem. Não damos muitas vezes o devido valor e não agradecemos por essas graças de nossos dia-a-dia.
Reclamamos dos barulhos urbanos como os das obras que constroem e reconstroem nossas cidades sem lembrar que barulhos estrondosos e devastadores derrubam cidades de países onde há terremotos, vendavais e outras catástrofes ambientais.
Nos abalamos com a morte de um individuo, seja de nosso convívio ou no noticiário e o que dizer de números de três dígitos de pessoas que se vão de repente e que deixam outras tantas partidas aos pedaços?
Muito triste o que está acontecendo nas Filipinas, o que a chuva e os ventos estão fazendo em algumas cidades brasileiras, o que a falta de chuva faz nos lugares devastados pela seca, uma cutucada em nossas caras de paisagem e mil exigências, para que a gente dê valor ao que tem, para que as alegrias dos momentos tão comuns sejam redimensionadas, que as nossas faltas sejam colocadas no patamar do suportável, pois temos muito e sabermos disso é uma benção.