3 de julho de 2013

Barcos, ilhas e nós

"Sim, às vezes naufraga-se pelo caminho, mas, se tal me viesse a acontecer, deverias escrever nos anais do porto que o ponto a que cheguei foi esse. Chegar sempre se chega”. Frase de um conto sobre a busca de uma ilha que não consta em nenhum mapa, em um livrinho pequenino e cheio de lições, chamado: O conto da ilha desconhecida, de Saramago. Eu ainda não tenho ele em minha coleção mas já o li mais de uma vez e sempre recomendo por ser uma leitura breve, uma história de paralelos com as histórias e vidas de todo ser humano, suas buscas, pensamentos, encontros.
Um homem buscava um barco e após tê-lo a sua disposição procurou por marinheiros, que não quiseram ajudá-lo na busca pela tal ilha que não existi no mapa. Eles não queriam sair de suas vidas tranquilas e sair à procura do “impossível”. É preciso coragem, esperança, obstinação, paixão para sair em busca de algo que não se vê e não há garantias de sucesso. E como em muitas histórias de vida, o homem encontra uma parceira, a mulher da limpeza do palácio do rei que lhe cedeu o barco e que sai pela porta das decisões para acompanhá-lo. Adoro esse nome dado a porta por onde ela sai, por onde nós saímos e entramos tantas vezes. "Cada escolha uma renúncia", ter isso em mente faz toda diferença e nos faz abrir as portas com mais consciência e mais envolvimento e as portas deixadas para trás ficam lá, fechadas.
E no conto, um completou o outro e as mãos dadas rumo ao desconhecido é a compreensão das verdades e dúvidas escondidas na alma (como uma ilha) que ainda que sem mapa, como é cada alma, pessoa e coração, é real, possível e habitável.
Sonhos que se sonham juntos, sonhar além do que se vê e se entende, do que possa ser só sonho, navegações para além mar, além razão, facilidade e com resistência para as adversidades em prol do porto seguro. Eles nomearam o barco de “Ilha Desconhecida” e como ocorre na vida e nos nossos barcos se lançaram ao mar, a procura e ao encontro de ilhas conhecidas,  desconhecidas e deles mesmos.

10 comentários:

  1. Saramago é sempre fenomenal! O desconhecido é cheio de interesses também, por que o usual e rotineiro já não faz mais sucesso! abraços

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  2. Perfeito texto.Lindo! Sonhar junto é maravilhoso e chegar ou não ao porto, questão de escolhas, pois sempre podem retornar e tudo recomeçar! beijos,chica

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  3. Coragem, esperança, obstinação, paixão...
    Ingredientes que não nos deixam estagnados num porto. Sopro de sonhos.
    Beijo!

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  4. "É preciso coragem, esperança, obstinação, paixão para sair em busca de algo que não se vê e não há garantias de sucesso".
    Amo Tina, saio inspirada daqui!
    Um beijo minha querida!!

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  5. Assim acontece na vida, cada decisão, normalmente implica em alguma renúncia e muitas vezes estamos caminhando por um caminho que supomos conhecido e nada nos garante que assim o seja, pois estamos indo em direção ao que não se vê. Acreditar, porém, é necessário para nos impulsionar.
    Beijos.

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  6. Também gostei muito do nome desta porta - decisões - e nesta vida todas as vezes que fazemos uma escolha inevitavelmente deixamos alguma coisa para trás.

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  7. Nunca li o livro de Saramago, confesso, mas adorei a ideia contida.
    Ao ler sobre os sonhos que se sonham juntos lembrei de uma frase que está no álbum de casamento da minha mãe: "Sonho que se sonha só é um sonho que se sonha sozinho, mas sonho que se sonha juntos se torna realidade".

    Adorei seu blog. Desbrava(dores) de Livros

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  8. Também gostei muito do saiu pela porta das decisões... É tão forte, coloca a mulher tão determinada...
    Parabéns pelo post.
    Bjs
    Vania

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  9. Oi Tina!

    Ler seu texto hoje foi maravilhoso, pois sou do tipo que de tão cautelosa com as coisas, teria medo de ir em busca dessa ilha. E vivo gritando pra mim mesma, repeti do e repetindo para sempre ser mais corajosa e ir, seguir!

    Alguns textos eu guardo para sempre ler. Esse é um dos que guardarei. Acredito que seu já tenho uns 4 que são fundamentais para momentos de reflexão. Assim como esse.

    Beijos e obrigada.


    Selma

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  10. Nem tudo nasceu pronto para estar diante de nossos olhos, como se existisse uma prateleira onde pudéssemos nos abastecer com aquilo que precisamos. Muitas vezes, é necessário enxergar além. Talvez haja coragem na prateleira e ela é necessária para explorar um mundo muito além daquele que há no raio que rodeia cada um. Talvez haja um amor na prateleira. Ou uma amizade. Um companheirismo. Assim, haverá coragem e consequentemente a busca. Dois corações têm mais fé que um só.

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