7 de agosto de 2013

Samaúmas, Carrancas, Tororó e Orixás

Não! Não estou falando grego ou aramaico. Samaumas, Carrancas, Orixás e o Dique do Tororó são tesourinhos culturais, clica aqui para ver uma matéria exibida aqui na TV Bahia, que inspirou essa postagem e os escritos que seguem e que conta histórias e lendas, com imagens regadas pelo Rio São Francisco.
Como na matéria do link, as carrancas são muito bem apresentadas, vou prozear sobre as samaúmas e os orixás em roda, como que em oração reunidos em meio as águas e também espalhados em volta do Dique do Tororó, manancial natural da cidade de Salvador, tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
A arte das esculturas de orixás que ficam no dique são de Tati Moreno e a religiosidade e cultura pulsante em cada uma delas são coisas da Bahia. O orixá da imagem que escolhi é Ossain ou Oxossi, associado aos santos católicos São Benedito e Santo Onofre. Ele é curandeiro, alquimista, químico, médico, boticário de poções de cura, equilíbrio, controle de sentimentos e emoções. É o senhor das folhas, usa um pilão, veste verde e tem um objeto de sete pontas, no qual, na ponta central, há um pássaro.
De folhas e aves, as árvores entendem bem. A grandiosa Samaúma ou Sumaúma é o nome usado para descrever a fibra obtida do frutos da Mafueira, também conhecida por Algodoeiro. A mafumeira é um símbolo sagrado na mitologia Maia e li por ai que em certos lugares ela atinge a altura monumental de setenta metros. Na Amazônia, onde se encontra em extinção, é o nome dado a cinco ilhas fluviais, dois lagos, duas cachoeiras e de um barco que faz ininterrupta comunicação, entre as famílias relacionadas às diversas samaúmas da extensa região. É tida como a rainha ou mãe da floresta por muitos e admirada tanto por sua altivez e beleza quanto por algumas singularidades, como o armazenamento de água em seu tronco e o destino dado a ela e propriedades medicinais pouco exploradas.  
O movimento das águas no seu interior produz ruídos, chamados de estrondos pelos caboclos, o som pode ser ouvido por toda a floresta. A fibra industrializada extraída da mafumeira é passaporte carimbado para sua extinção e para o enchimento de colchões, almofadas, coletes salva-vidas, isolantes térmico, dentre outros objetos. Suas raízes cobrem um raio de mais de trezentos metros tendo como centro o seu tronco e quando ela estronda libera a água do caule para o solo regando as plantas que estão ao seu alcance durante a estiagem e dando assim vida a elas e alimento a animais.
Um exemplo de grandiosidade e partilha de um ser "irracional", ensinamentos da natureza sobre dividir, armazenar, dar guarida e proteger os pequenos, promover e fazer parte da harmonia e parceria necessária para o bem individual e coletivo.

11 comentários:

  1. Obrigado por esta excelente informação. Aprender até morrer. Parabéns pelo post.

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  2. Aprender com a Tina é muito legal! Vale sempre! ( mesmo tendo uma maritaca(Neno ) aqui do lado que não para de falar. Acho que engoliu a vitrola) beijos,tudo de bom,chica

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  3. Oi Tiná,
    Adoro saber sobre as figuras mitológicas brasileiras. Adorei o post.
    Muita sorte para vc neste meio de semana!
    Bjs

    GOSTO DISTO!

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  4. Olá, Tina.

    Não entendo muito da religiosidade afro, mas até onde sei, é suficiente para achar muito interessante e bonita a forma como "os deuses" (entidades, não sei bem) estão diretamente vinculados ou identificados pela que se encontra na natureza, como florestas, rios, etc.

    Um abraço!

    ps.: grato pelo carinho de ter indicado minha humilde expressão escrita lá no blog, pelo visto você tem aquela esquina bem frequentada dentro do você.

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  5. A dona Tina está sempre me ensinado... Sempre aprendo com vc ;)

    Beijão e um ótimo restinho de quarta!!

    Nanda Pezzi

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  6. Amei o link Minas e Bahia, o vídeo é muito interessante e o Dique de Tororó é realmente um lugar místico e mágico. Aprendi muito e decidi que quero ser mulher Mafueira. Não venha me disser que estou engordando, eu apenas estou guardando tudo o que aprendi por aí, um pouco de tudo o que vi e no momento certo vou "estrondar" e repartir. Posso??

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  7. Se quando criança eu soubesse que as carrancas, que tanto medo me metiam, protegiam o transporte de rapadura, ah! tudo seria diferente!
    Adoro rapadura e aprender por aqui à sombra da Samaúma é sempre gratificante!
    Beijo

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  8. Adoro este trabalho das carrancas e sua história.
    Beijo Lisette,

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  9. A natureza sempre sábia, né?

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  10. OI TINA!
    TIVÉSSEMOS NÓS UM MÍNIMO DA SABEDORIA QUE A NATUREZA NOS DEMONSTRA, QUEM SABE ESTA ÁRVORE MARAVILHOSA SERIA CUIDADA E NÃO FADADA Á EXTINÇÃO.
    LINDO POST.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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