25 de setembro de 2013

Origens, círculos e nós

Essa imagem que não sei a autoria
Me fez lembrar do filme: Irmão urso
Que adoro e recomendo
E vei para cá para fazer pareja com algo que li em um blog vizinho:
"Tudo o que um indígena faz está num círculo
E isto é porque o poder do mundo sempre acontece em círculos
E tudo tenta ser redondo
O céu é redondo
E a terra é redonda como uma bola
E assim são as estrelas
O vento, em seu poder máximo, gira
Pássaros fazem seus ninhos em círculos
Pois deles é a mesma religião que a nossa
O sol se eleva e se põe em círculo
A lua faz o mesmo
E ambos são redondos
As estações formam um grande círculo em suas mudanças
E sempre voltam outra vez de onde vieram
A vida de um homem é um círculo
De infância à infância
E assim é em tudo onde se movimenta o poder"
Eu, nascida no dia do índio, me vejo na obrigação, fora o gosto, de revindicar, como já reivindiquei aqui (ver aqui e nas entrelinhas aqui e aqui) por mais respeito, reverências, valorização histórica e cultural a figura do índio, suas tradições e o vasto conhecimento que eles detém, além do reconhecimento de serem eles e não os portugueses os nosso descobridores, afinal no relato de chegada diz-se que eles estavam aqui e se estavam, foram eles que descobriram ora pois!
Fui cutucada por uma amiga de tribo, a cacique Ana Paula, com um link que ela me mandou de um Programa chamado "Diálogos", exibido na web, no canal Educartis, onde o apresentador Maurício Curi, entrevista: Kaká Verá, um índio que dentre outras coisa discorre sobre a expressão "programa de índio" se referir originalmente a todo programa que não tinha objetivos específicos, encontros para contemplação, para flanar, para jogar conversa fora. Com a desenvolução, porque vamos combinar, ao mesmo passo que evoluímos em algumas frentes e regredimos em outras,  a expressão passou a ser usada inadvertidamente para programas chatos, porque para os agitados de plantão com intenções em tudo, de metas numéricas de caças a serem abatidas a bebidas a serem entornadas, negociações a serem feitas, bater papo, tomar sorvete, caminhar pelo shopping para ver vitrine, bem como coisas bizarras, foram colocadas em um mesmo lugar comum, na categoria programa de índio.
Como propôs o entrevistador eis-me aqui para fortalecer a liga  pela mudança de uso da expressão: Passemos a dizer com sorriso e suspiro, agora vou fazer um programa de índio, quando for cozinhar, quando for pescar, quando for fazer trabalhos manuais, quando for bater papo bom furado etc.
Os índios por muitos são vistos como vadios, como espertos por serem por vezes representados nos eventos culturais das escolas, dentre outros, por uma minoria sem respeito ou ligação de fato com a filosofia de vida e raízes legítimas indígenas, tem também a turma politizada e mercenária, de valores duvidosos como há as pencas de gente de todo tipo do mesmo tipo.
Tribo também é um termo usado de forma pejorativa, tribo disso e daquilo, turma, galera, gangue é mais da hora e com referências não tão da hora assim. Mas é tudo uma questão de hábito e eis-nos aqui para mudar o mundo, tarefa tão ao alcance e tão mistificada. Somos brasileiros, nosso chão foi adubado e germinado por índios, destemidos, guerreiros, sábios. Valor a quem é de se dar valor. "Um povo que não conhece o seu passado tem dificuldade de construir o seu futuro. Quem não sabe de onde veio, tem dificuldade de saber para onde vai. Quem não valoriza seus antecessores terá dificuldade de valorizar seus sucessores."
Em um circulo de reconhecimento, busquemos a simplicidade, vida de índio, com irmandade, energias trocadas com a natureza, espiritualidade, hierarquia, em danças, em roda, dados as mãos, elevando os pensamentos, incluindo expressões, defesas, objetos nas estantes, enfeites no figurino, comida saudável e feita com amor na mesa, sabedoria na nossa vida de escravos tão se achando libertos.

10 comentários:

  1. Oiii Tina, adorei a reflexão, verdade tudo está em circulo, e no final das contas tudo provém de nossos antecessores, talvez por isso gosto tanto de conhecer lugares ligados ao passado, acho mágico, a visita que fiz a uma tribo indigena na Amazônia em 2010 foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida, lembrarei p sempre quando atracamos o barco e começamos ouvir o som dos tambores vindo da mata, foi uma das sensações mais incríveis da minha vida! Bjinhossss

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  2. Ah! moro bem próxima a uma aldeiazinha de índios e são dignos de pena, largados a mercê de um mundo cruel. A antiga prefeita Marta Suplicy, fez um projeto na aldeia deles, e é nitida a perda de valores e cultura, a pobreza e a sujeira que vemos ao passar por lá. Antes quando eu era criança, dava gosto de ver, mas civilizaram demais e os largaram ao léu. Nas feiras livres vemos eles mendigando resto de comidas, pedindo esmolar e crianças carregando crianças, indiozinhos pobres, sujos e sem noção da vida que deveria ser digna.
    Vemos alguns vendendo objetos feitos por eles na beira da estrada, onde ngm compra, nenhum governante vê.
    Dificil demais e adoraria poder ajudar, mas enfrentar leões sendo apenas um coelho na floresta, não dá!
    Adorei a sua explanação e desculpe o desabafo
    Bjs
    Ritinha

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  3. Que lindo e tu refletes e nos fazes refletir. Tudo é em círculos, céus, terra, amor, tudinho e nós neles! beijos,chica

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  4. Estou te aplaudindo de pé. Parabéns pelo post e pela abordagem. Tem coisas que dá vontade de gritar pra todo mundo ouvir, como este teu post.Bjs
    Vania

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  5. oi Tina

    É tudo circulo mesmo rs... a gente sabe mais não se dá conta das coincidências e o pq delas.
    Sábios são os índios, mas pouco valorizados ainda em nossa cultura.

    bjokas e um dia lindo pra vc =)

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  6. O que os índios brasileiros têm de ruim, de vício, foram levados pelos brancos. Eles inventaram o socialismo que dava certo antes dos civilizados chegarem com a empáfia. :)

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  7. Que assim seja dona Tina!!
    Parabéns por mais um belo post Tina!!!

    Beijos e um ótimo restinho de quarta-feira para vc!

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  8. Tina,muito acertada sua cronica.Infelizmente o preconceito corre solto nesse país. Gostei de sua ideia de transformar a expressão programa de indio numa coisa boa, quando nos reportarmos á natureza e á simplicidade. Bjs e boa quarta!

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  9. Programa de índio foram eles que fizeram quando se aproximaram dos brancos e levaram os maus exemplos. Eu quero para mim um programa de índio, com simplicidade, respeitando as leis da natureza, uma alimentação sem agrotóxicos, vivendo com o que a natureza nos fornece.

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  10. Mudar essa expressão que ganhou conotação tão negativa e voltá-la às suas raízes: programa de índio - contemplar, refletir, simplificar, viver em conexão com a natureza.
    Tão escravos somos e achamo-nos tão libertos. Triste e com a mais pura verdade você encerra este maravilhoso post.
    Beijo

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