4 de novembro de 2013

Para se lambuzar

"Não coma a vida de garfo e faca
Lambuze-se"
Quintana
Os alimentos tem o papel de alimentar, dar prazer e ao mesmo tempo são um canal com lugares e pessoas. Almoço em família, receitas de vó, de mãe, pratos de botecos ou de grandes restaurantes, típicos de nosso lugar ou dos muitos lugares mundo afora, histórias e sentimentos sempre são associadas aos alimentos.
Cadernos e livros de receita são ferramentas de trabalho, manuais, objetos de colecionar para muitos, herança para alguns, uma incógnita para os que nem fritam um ovo mas vêem nos ingredientes e ilustrações, páginas encantadas, recheadas de mistérios, curiosidades, possibilidades, aromas, sabores.
Associei a frase de Quintana a fruta da imagem no quesito lambuzar-se e em reverência a vida pulsante em nós dos que nos cercam e nutrem, com alimentos para o corpo e para alma, estejam essas pessoas ao nosso lado ou já em outro plano. Essa mistura de sentimentos, sentidos, pessoas e alimentos veio parar aqui por recentemente eu ter ganhado um livro de receitas muito especial.
Me sinto a cada folear na casa de Dona Benta, com Tia Anastácia cozinhando, ensinando, conversando, lá fora galinhas ciscando, ramos de alecrim, majaricão e rúcula brotando do chão e exalando aromas. Do forno o chamado dos pães feitos por meu pai tarde da noite, sem o movimento diurno da cozinha. 
Culinária com jeito de poesia é uma definição resumida do livro da Editora Sagui, de nome: "Comer com os olhos e lamber com o Coração", um apanhado maravilhoso da culinária mineira, recheado de palavras, imagens e entrelinhas cheias de cores com tons poéticos.
A história do livro em resumo é assim: o escritor Marcílio Godoi convocou duas sobrinhas e de mãos familiares enfarinhas, colheres em punho, sumos de fotos, ingredientes diversos, histórias, versos, prosas e memórias se deu a preparação e publicação das receitas da matriarca da família, Dona Etelvina.
Um livro que não só imortaliza a amada figura familiar que ela foi e sempre será, como também registra para admiração e reprodução as suas receitas, que são de lamber os dedos, beiços, vasilhas, pratos, são um pouco da vida de cada membro da família e serão assim perpetuadas e espalhadas para os membros vindouros e para membros de outras tantas famílias.
Nas fotos o sorriso de Dona Etelvina, sua habilidade e intimidade com a arte de cozinhar, transparentes em imagens estáticas, os utensílios, as palavras de seu filho, tudo junto e separado confirma que não é preciso receita para saborear a simplicidade e o amor, temperos de uso irrestrito, harmônicos e indispensáveis para tudo na vida.

15 comentários:

  1. Bonita essa tradição que ecoa nas descendências... E há tantas no Brasil, porque a alta miscigenação é proporcional a cultura, aos costumes. Minha avó veio lá de Minas. E a vizinha, paulistana lá da Lapa. É engraçado quando as duas trocam receitas (quando não os pratos já prontos), são gostinhos de dois cantos do país, indo pras duas famílias.
    Gostei do livro, da citação de Quintana e da imaginação que te levou para as linhas do Lobato.

    Boa semana!

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  2. Lindo demais,Tina e pra saborear felicidade, nada mais nada menos que a simplicidade pra um bom começo! Adorei! beijos,chica

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  3. Bom dia Tina

    Minha avó passava horas cozinhando para o almoço em família de domingo. Tudo era feito com grande contentamento e era uma delicia.
    A felicidade tb está em tornamos as vidas das pessoas mais doces e mais gostosas.

    bjokas =)

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  4. Este fim de semana resgatei o livro de receitas da minha mãe. Cada receita traz lembranças e saudades e valem só pelo prazer de deixar os dedos escorregarem sobre a sua letra, trazer de volta o cheiro e sabor.

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  5. Cozinhar é um forma de arte tão deliciosa quanto uma poesia! abraços

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  6. Obrigado pelo carinho da resenha, Tina. Você pode imaginar o quanto isso me toca em especial. Beijo!

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  7. Uma Etelvina que sabe cozinhar e um filho que soube experimentar. Adorei!
    Vontade de ler, vontade de colocar um avental e mexer alegrias na cozinha lá de casa! Parabéns para autor e a querida Tina!
    :)

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  8. Oi querida, que lindo!
    Nada de seguir a receita da vida, o que vale e aproveitá-la e se lambuzar das felicidades que ela oferece!
    Beijos e boa semana!

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  9. Tina,tem coisas que não dá pra comer de garfo e faca e nem tem graça! Nada como se lambuzar de jaca,manga,laranja...rss...Receitas de família que passam de gerações são as melhores! Um livro de receitas que vale a pena consultar! bjs e linda semana,

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  10. Ah! A culinária mineira!!! Boa mesmo... Mas é tão simples, tão fácil e delicada que se diferencia das outras...
    Mineiro não inventa, não complica e não explica. Mineiro faz e faz muito bem, pão de queijo não existe quem faça igual, sabe porque? por que é muito simples, e "bão dimais sô!"
    Bjs
    Vania

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  11. Tina, preciso comprar esse livro, não sabia que Marcílio Godói estava com essa novidade.
    Sempre fui uma admiradora dele, gostava de ler suas postagens,acompanhei com ele a dor do luto.
    Deve ser delicioso esse livro, preciso ler.
    Um beijo querida, linda postarem.

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  12. Que bacana, Tina.

    Escrever, assim como cozinhar, é uma alquimia. Você preparou um belo saboroso prato com essa postagem.

    Um abraço e ótima semana para você!

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  13. Ai que especial encontrar culinária, amor e poesia pelo especial Marcílio Godói! De lamber com o coração esta postagem!
    Beijo

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  14. Que post maravilhoso....simplesmente adorei!
    Ótima dica de leitura!!!!
    http://meumundorosapynk.blogspot.com.br/
    Beijocas

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  15. Tudo de bom estes encontros para comer....
    Beijo Lisette.

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