11 de novembro de 2014

Viagem no mundo de Alice

Alice está sentada em uma árvore com seu gato ouvindo uma lição de história de sua irmã mais velha, que briga com ela como de costume, para que pare de sonhar acordada e preste atenção. Alice que não estava gostando muito do livro porque ele não tinha ilustrações, sai de fininho com seu amigo felino.
Ai, perto de um riacho ela vê um coelho branco com um relógio de bolso enorme falando interminavelmente sobre o quanto estava atrasado. Cheia de curiosidade para saber o lugar aonde o coelho iria, Alice vai atrás dele pedindo que ele a esperasse.
Ela então tenta entrar em um buraco pequeno onde ele entrou, o chão cedeu e ela caiu em um buraco enorme e seu vestido foi usado magistralmente como um pára-quedas.
Depois de flutuar sobre diversos objetos domésticos, como cadeiras e imagens espalhadas pelo ar no buraco, ela pousou com segurança e continuou sua perseguição ao coelho indo parar em um quarto, com portas em todos os lados. Dessa parte da história destaque para um objeto que é um dentre muitos que remetem ao filme e as suas reflexões e filosofias, que é muito usado em acessórios e estampas relacionadas ao filme e que adoro e uso como acessório por ser um símbolo do filme Alice e da famosa joalheira Tiffany & Co. Amo simplicidades e algumas frescurinhas.
Voltando a viagem encantada, uma das portas tinha uma maçaneta alegre que estava numa porta pequena demais para Alice que bebe uma porção mágica para encolher e acaba crescendo e ficando enorme para o tamanho do quarto e começa a chorar. Grandes gotas de água transformam a sala em um lago e Alice consegue encolher-se mais uma vez e vai parar no País das Maravilhas.
Resumido, além dos personagens e objetos fantabulosos que enumerei aqui recentemente, vale saber para quem gosta da história (e para quem não e quem sabe venha a se encantar), que uma chave de ouro que destrancava portas misteriosas era um objeto comum na literatura inglesa vitoriana e a portinha para um jardim secreto era para o autor uma metáfora de eventos que poderiam ter acontecido se tivesse aberto certas “portas”. Vale para todos essa metáfora, com as certezas de que cada escolha e tudo é provedor do saber querer.
Um detalhe que adoro: há 24 poemas, entre os quais 10 são paródias, na história original. As paródias que Alice recita e parecem não ter sentido nenhum, são sátiras aos poemas enfadonhos que as crianças inglesas daquela época tinham que saber de cor.
No chá maluco, muitas partes do diálogo tem muitezas, dentre elas, ninguém diria a uma menina vitoriana que seu cabelo estava comprido demais. A observação “seu cabelo está precisando de um corte” dita pelo Chapeleiro era uma frase muito ouvida pelo autor, que usava os cabelos mais longos do que era costume. 
A Lebre de Março refere-se ao mês do cio das lebres e naquela época Camomila era um medicamento extremamente amargo, por isso, Alice afirma que a camomila torna as pessoas amargas. Durante uma conversa com a duquesa, Alice fica indecisa entre classificar mostarda como animal, mineral ou vegetal, trata-se de uma referência ao popular jogo de salão inglês: “animal, vegetal, mineral”, em que os jogadores tentavam adivinhar o que alguém tinha em mente. As primeiras perguntas feitas eram tradicionalmente: É um animal? É um vegetal? É um mineral?
Tanta coisa em um filme que a gente nem percebe ou percebe aos poucos e não é porque não somos ingleses, muitos ingleses não sabem de metade dessas referências e simbologias. Há histórias além das histórias dos personagens de um filme, de um livro, a muitos detalhes no vestuário, nos cenários.
Para fechar, devido às semelhanças no tamanho dos nomes, posições das vogais, consoantes e letras duplas no segundo nome, acredita-se - lenda, mito ou fato - que Charles tenha se inspirado na formação do nome de Alice Liddell para criar seu pseudônimo Lewis Carroll. Será?

4 comentários:

  1. O mundo de Alice foi bem demonstrado aqui. E coitadinhas das crianças inglesas que tinham que decorar coisas que nem sentido pra elas faziam. Mas aqui também tivemos tantas decorebas brabas nos colégios... Lindo teu texto e belas ilações fizeste. Gostei! bjs, chica

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  2. acredita que eu nunca li?
    Baixei recentemente no kindle a versão em francês para praticar, mas eu demoro umas 3 horas para ler um parágrafo, hahaha!
    depois do seu lindo post, vou me esforçar mais para ler a história, beijos

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  3. Lindo seu texto Tina, gostei de saber sobre certos diálogos do filme que eu não entendia!
    Beijos
    Amara

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